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3º CAPÍTULO: OM-SYSTEM

Novembro 5, 2022

A vida é feita de ciclos. Enquanto uns se encerram, outros se iniciam. Fotograficamente falando, aos dias de hoje encontro-me entre ciclos. Fecham-se as cortinas para o sistema DSLR e vê a luz do dia o sistema Mirrorless. Uma opção tão válida como quando em 2012 vendi todo o meu equipamento Canon e cometi a heresia de o trocar por equipamento Nikon. O meu nível de fotografia não mudou pela troca de marca ou porque passei de um sensor APS-C para um sensor Fullframe. Mudou porque continuei a querer evoluir mais e mais e a querer crescer enquanto fotógrafo. Mudou porque nunca parei de fotografar e de consumir fotografia.

A decisão de abraçar o sistema Mirrorless, foi ponderada e amadurecida, sobretudo nestes últimos três anos. Ao dia de hoje e olhando friamente, demorei tempo em demasia nesta tomada de decisão. Enfim, o caminho é para a frente.

OM-System OM-1, M.Zuiko Digital ED 40‑150mm F2.8 PRO

Como qualquer história, tudo tem um começo e, por assim dizer, o início do fim do sistema DSLR, para mim, começou quando me apaixonei por fotografar as cegonhas que anualmente nidificam nas escarpadas falésias do litoral sul de Portugal continental. Pobre Ciconia Ciconia, longe de imaginar que a culpa é sua neste processo. De facto, não é. Passo a partilhar em maior rigor. A ausência de distância focal no meu equipamento para captar a cegonha branca como eu desejava e imaginava foi o mote.

Há vários anos que tinha comigo uma Nikon D750. Uma máquina fotográfica DSLR full frame. A distância focal que maioritariamente utilizei com esta câmara situou-se quase sempre entre o intervalo que vai de 16mm a 200mm. As 3 objetivas que possuía, eram o garante. Verdade seja dita, 95% das vezes e, tendo por base o que habitualmente fotografo – maioritariamente paisagem natural – era suficiente.

Tinha outras objetivas, mas foram um erro de casting a sua aquisição. Creio que no final, apenas as tinha para puxar dos galões em conversas com amigos. Raramente as utilizei em vários anos. Com a identificação desta “lacuna”, precipitada por um novo motivo fotográfico, rapidamente pensei em adquirir uma objetiva com outro tipo de distância focal, mais aproximada das usadas pelos fotógrafos de vida animal.

O custo de uma objetiva com essas características é significativo, aliado à questão que emergiu em mim: Fará sentido continuar a investir num sistema, que sem colocar em causa a sua qualidade e fiabilidade, há muito deixou de ser aposta das marcas e dos próprios consumidores? Esta questão nuclear, era de simples resposta e não precisei de muito para chegar a uma conclusão.

OM-System OM-1, M.Zuiko Digital ED 40‑150mm F2.8 PRO

Quem me conhece sabe que não sou de tomar decisões de forma impulsiva, apesar de ter consciência que me encontrava num caminho sem retorno. Nada como dar tempo ao próprio tempo. A ideia de troca de sistema já estava a ser germinada. Apenas precisava de ser amadurecida. Comecei por escrever num papel os fatores que mais poderiam pesar numa decisão destas e com isso, decifrar ou ter pistas, do caminho a seguir, como marca, tipo de sensor e custo associado a uma mudança. Desta feita, tentei não complicar e entrar em encruzilhadas que atrasassem ainda mais este processo irreversível.

O primeiro fator relevante era para mim de ordem financeira e definir o quanto estaria disposto a investir. Rapidamente percebi que uma mudança de sistema iria ficar demasiadamente dispendiosa. Logicamente, ponderei vender todo o equipamento Nikon. Umas pesquisas por sites de venda de equipamento em 2ª mão e a rentabilidade sobre o equipamento que tinha em mãos seria baixo. Associado a este ponto, também o tempo que iria demorar até vender tudo o que tinha em mãos e ter dinheiro fresco para adquirir novo.

O tipo de fotografia que normalmente faço foi outro ponto a ter em conta nesta análise. Associei muito este fator ao sensor. O mercado atual é dominado pelas máquinas fotográficas Mirrorless com sensor full frame, mas, existem outras opções no mercado, que devido à evolução tecnológica verificada nos últimos anos, associada a preços de venda mais apelativos, pelo menos para mim, devam ser consideradas nesta equação. Máquinas fotográficas com sensor APS-C ou micro 4/3, não devem ser descuradas no momento de trocar de sistema ou de máquina fotográfica, mesmo quando se vem de equipamento com sensor Full Frame.

OM-System OM-1, M.Zuiko Digital ED 12‑40mm F2.8 PRO

Por fim, a marca do equipamento. Este aspeto é diretamente influenciado pelo budget e logicamente pelo tipo de sensor pretendido dentro do sistema Mirrorless. Ponderei, como é óbvio, continuar na Nikon. Bastava o corpo de uma máquina – considerei a Nikon Z7II com um anel adaptador – por forma poder usar as objetivas antigas e tinha o meu “problema” resolvido a troco de sensivelmente 3500€. Um valor que considerei elevado para o que estava disposto a despender. Certamente iria manter um equipamento de alta qualidade, mas iria manter igualmente o peso enorme na mochila na hora de ir fotografar. A questão do peso na mochila, também teve a sua importância na hora de tomar decisões. Nesta fase tinha todas as cartas, pelo menos as mais relevantes, em cima da mesa.

Fazendo um parêntese importante, para mais tarde continuar o meu raciocínio e anunciar o desfecho final, em 2021 fui convidado pela organização do festival de fotografia de Manteigas, o Imaginature, a participar na condição de orador. Convite que muito me honrou. Este tipo de eventos fotográficos, assim como outros da nossa vida social e profissional, não só tem o condão de ser um ponto de rever velhas amizades, assim como permitem que novas se revelem aumentando assim a rede de networking.

Foi nesse momento que tive contato com os representantes da agora OM-System, antiga Olympus. Por mera curiosidade da minha parte e dada a simpatia do João Abreu, representante da marca no festival, tive a oportunidade de durante um par de dias testar uma das joias da coroa da Olympus, a EM-1 Mark III. Sempre existiu um mito relacionado com o comportamento dos sensores da antiga Olympus, nomeadamente no que respeita ao ISO. Felizmente tive a oportunidade de atestar in loco a veracidade desse mito.

OM-System OM-1, M.Zuiko Digital ED 300mm F4PRO

Na época, escrevi inclusivamente um artigo sobre o comportamento, em termos de ISO, desse modelo da Olympus comparativamente com o a minha Nikon D750, com resultados surpreendentes. Podes ler o artigo AQUI.

Verdade seja dita, durante este período de testes, usei ISOs até 3200 sem qualquer tipo de problema. Não usei ISOs mais elevado, porque de facto, no meu género de fotografia não se justifica. Além do tema sempre incontornável do sensor micro 4/3, outros aspetos foram surpreendentes e sem me querer alongar: fiquei surpreendido com o poderoso sistema de estabilização da máquina fotográfica (Ibis) assim como a sua portabilidade. A  qualidade ótica das objetivas é fantástica, assim como a parafernália de opções, em termos de software, que a máquina fotográfica disponibiliza.

Relevante é sem dúvida o fato do equipamento, em termos de peso, ser efetivamente bem mais leve que o meu sistema antigo. Relembro que neste sistema o fator de conversão, tendo como referência o sistema DSLR é de X2, ou seja e a título de exemplo, uma objetiva 300mm fixa, equivale na prática a uma 600mm no sistema DSLR.

OM-System OM-1, M.Zuiko Digital ED 40‑150mm F2.8 PRO

Após este período de testes passei a olhar para a Olympus, e para o seu famoso sensor micro 4/3, de outra forma e a considerar, como uma opção bastante válida para uma futura troca de sistema. Face ao exposto e com todas as variáveis que acima mencionei em cima da mesa, houve de facto, como em tudo na vida, um momento que precipitou a minha decisão e num ápice vendi todo o meu equipamento Nikon e mudei de sistema, como pretendia. Não optei por uma Mirrorless com sensor médio formato ou full frame e nem tão pouco APS-C. Optei pela máquina fotográfica OM-1 da OM-System (antiga Olympus), com um sensor micro 4/3. Aproveitei a excelente campanha da marca, que aceitou, mediante um valor em troca, todo o meu equipamento Nikon, sem ter de regatear preços e por um valor que considerei justo e adequado.

OM-System OM-1, M.Zuiko Digital ED 12‑40mm F2.8 PRO

O valor da venda do equipamento, permitiu, sem gastar muito dinheiro, como eu pretendia, ter à minha disposição um novo sistema, uma nova máquina fotográfica e um conjunto de novas objetivas. A mudança de sistema não deve ser algo doloroso. Apenas é necessário amadurecer a ideia e esperar pelo momento certo e avaliar todos os fatores importantes para o fotógrafo.

Como diz um amigo meu, nos dias de hoje “qualquer máquina fotográfica é boa, assim o fotógrafo tambem o seja“!

OM-1: PRIMEIRAS IMPRESSÕES
ESSÊNCIA